José Manuel Sobral

J.M. Sobral, diz que «(…) a realidade política criou este instrumento central da identidade»[1], a língua, e ainda da sua diversidade no território «(…)sendo os nomes de origem árabe mais abundantes no Sul, pois o Norte pouco foi atingido pela colonização islâmica(…)»[2]. A língua teve uma importante componente evolutiva na formação da identidade nacional pois «(…) as elaborações culturais e simbólicas são elementos construtivos da formação do colectivo. A língua é o principal dos elementos e condição de possibilidade de outros(…)»[3].

Para este autor, o fator político continua a ser o ponto fulcral de compreensão da formação da identidade Nacional, mas a história também está muito presente nesta construção. A experiência e as vivências[4] quem se têm são também importantes para se ser identificado e identificar-se como português. Temos que nos reconhecer a nos próprios e aceitar-nos, reconhecer os outros e os estrangeiros. Existe aqui um elo de ligação com a identidade coletiva, uma identidade que é produto da ação humana que a partir da formação da identidade política constrói, lentamente, um coletivo diferenciado. Esta identidade leva a que seja defendido que o país se formou a partir da vontade dos homens e não da natureza.

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[1] Sobral, José Manuel; «Portugal, Portugueses: Uma Identidade Nacional», pág. 3
[2] Sobral, José Manuel; «Portugal, Portugueses: Uma Identidade Nacional», pág. 29
[3] Sobral, José Manuel; «Portugal, Portugueses: Uma Identidade Nacional», pág. 36
[4] Sobral, José Manuel; «Portugal, Portugueses: Uma Identidade Nacional», pág. 32

Penso que esta visão tem um cariz moderno e por isso sinto-me mais ligada com ela. Na minha opinião, vivemos num mundo globalizado - a “aldeia global” de McLuhan - e estamos todos interligados, ou seja, é muito difícil sermos só um povo, porque na base da nossa identidade já estão outras, outros costumes e outros saberes que influenciaram o nosso e assim concordo com o autor, ao dizer que temos que nos reconhecer a nós próprios e saber aceitar-nos, bem como reconhecer os outros, nomeadamente os estrangeiros que já cá passaram e que hoje ainda têm muita influência entre nós devido a esta anulação de barreiras e a instantaneidade de conhecimentos transatlânticos que a distância de um click nos vem permitir.